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	<title>Cyberlawyer &#187; internet</title>
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	<description>Memórias voláteis de um advogado conectado</description>
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		<title>Guerrilha de Informação na Rede</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 20:36:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Bulgueroni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;A justiça é cega, mas ela enxerga no escuro&#8221; Quem pronunciou a frase acima não foi Gandhi, nem Bush, tampouco Frank Castle. Foi o juiz aposentado Nicholas Marshall, personagem central da série de TV &#8220;Justiça Final&#8221;, televisionada durante minha infância. A idéia era a básica &#8211; um juiz que tentava fazer justiça pelo sistema, até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class="alignleft" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Segurança da Informação" src="http://cyberlawyer.com.br/wp-content/uploads/wp-post-thumbnail/segurancadeinformacao_wHoA0.jpg" alt="" width="261" height="180" /></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;A justiça é cega, mas ela enxerga no escuro&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Quem pronunciou a frase acima não foi Gandhi, nem Bush, tampouco Frank Castle. Foi o juiz aposentado Nicholas Marshall, personagem central da série de TV <a href="http://www.oarquivo.com.br/index.php/Seriados-de-TV/Justica-Final.html" target="_blank">&#8220;Justiça Final&#8221;</a>, televisionada durante minha infância. A idéia era a básica &#8211; um juiz que tentava fazer justiça pelo sistema, até que criminosos mataram sua família e ele virou um justiceiro das ruas, pois não &#8220;acreditava mais no sistema&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A idéia é antiga &#8211; ocorre uma injustiça, procura-se o sistema formal de resolução, ninguém resolve nada, a vítima se enfurece e sai armada até os dentes atrás dos &#8220;moços do mal&#8221; para fazer justiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Que bom que na televisão, nos quadrinhos e nos livros não há inocentes. Por que no mundo real está ocorrendo uma &#8220;justiceirização&#8221; dos usuários de internet, ainda que em quase todas as vezes analisadas motivada prioritariamente pela vontade de fazer o bem ao próximo.</p>
<p style="text-align: justify;">Venho testemunhando exemplos diversos, como o resultado da premiação do <a href="http://www.bestblogsbrazil.com/2008/" target="_self">Best Blogs Brazil</a>, em que o blog vencedor de uma das categorias, o <a href="http://planejandomeucasamento.com.br/" target="_blank">&#8220;Planejando meu Casamento&#8221;</a>, foi acusado de roubo e Incitação a infrações ao regulamento pelo blog concorrente, que conclamou a &#8220;trapaça em nome do bem&#8221; (mediante a criação de perfis falsos para &#8220;inflar&#8221; a votação desse concorrente no site), <a href="http://planejandomeucasamento.com.br/2009/01/16/ultimo-dia/" target="_blank">sob a bandeira de combater a &#8220;nefasta&#8221; atitude da autora do blog</a> &#8220;Planejando meu Casamento&#8221;. Não havia provas nem indícios de que a autora do &#8220;Planejando&#8230;&#8221;  havia &#8220;roubado&#8221; na votação, mas a acusação do concorrente foi forte o suficiente para diversos usuários de internet abraçarem a &#8220;causa&#8221; e começar a votar no blog concorrente, deixando o &#8220;Planejando&#8230;&#8221; em larga desvantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja,<strong> &#8220;justiça&#8221; feita com os próprios bits</strong>. Mas sem prova, e utilizando um meio ilegal (falsidade ideológica &#8211; votar mais de uma vez fazendo-se passar por diversas pessoas). A autora do &#8220;Planejando&#8221; estava julgada e condenada<em> &#8211; sem direito à defesa</em> -  por uma parcela da comunidade. Até que a notícia se espalhou na comunidade de usuários do twitter que, indignados com a atitude questionável do concorrente, iniciaram uma ampla <strong>campanha</strong> via twitter para que todos os usuários do twitter votassem, <em>cada um uma vez</em>, no &#8220;Planejando&#8221;, que acabou vencendo a competição, duas vezes, uma pela votação via internet e outra pela avaliação do júri.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi também pelo twitter que um dos presentes ao último Campus Party sentiu o poder do julgamento de uma multidão furiosa, em razão de ter excedido os limites do bom senso ao <a href="http://www.abril.com.br/noticias/diversao/fiquei-indignada-diz-coelhinha-playboy-assedio-sofrido-campus-party-417844.shtml" target="_blank">bolinar uma das Coelhinhas da Playboy que estavam lá</a> &#8211; a reação foi firme, debatida amplamente em <a href="http://www.flickr.com/photos/skateonrails/3222305161/" target="_blank">diversos meios</a> da <a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;safe=off&amp;client=firefox-a&amp;rls=org.mozilla:en-US:official&amp;hs=vMc&amp;q=coelhinha+bolinada+campus+party&amp;start=0&amp;sa=N" target="_blank">internet</a>, que fez com que o culpado tivesse sua sentença rapidamente pronunciada na internet: &#8220;culpado&#8221; e &#8220;ostracismo&#8221; &#8211; apagou seu perfil do twitter e outras presenças virtuais, e terá que talvez começar de novo com um novo nick, sempre sob o risco de ouvir algum comentário &#8220;você não é o bolinador de coelhinhas?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse foi um caso em que aparentemente a comunidade eletrônica reagiu acertadamente contra alguém que consistentemente, e perante testemunhas, passou dos limites. Mas e se a &#8220;conduta ilegal&#8221; dele não tivesse ocorrido? E se tivesse sido outra pessoa? Tudo o que esse usuário construiu, para a história, tornaria-se nada. Qualquer busca no google com seu nome traria o estigma de &#8220;bolinador&#8221;, e não há sentença judicial que poderia desfazer esse histórico de internet (como desfazer os resultados de busca do google para os quais pus o link acima?). A autora do &#8220;Planejando&#8230;&#8221; quase saiu prejudicada por causa de uma acusação vazia.</p>
<p style="text-align: justify;">Meios jurídicos há para tentar minimizar tais problemas, mas nunca conseguem voltar as coisas ao devido lugar depois que acontecem, rápidas demais.</p>
<p style="text-align: justify;">O que importa mesmo é cada usuário de internet parar para pensar dez  segundos, ao menos DEZ, antes de apertar &#8220;enter&#8221; naquela mensagem &#8220;cheia de justiça&#8221; que pode, mesmo sem querer, mandar um pai de família para a guilhotina. Se todos agirem com um mínimo de bom senso, quem sabe até a minha profissão não se torna obsoleta. Quem quer advogado quando as pessoas se acertam mutuamente, evitando problemas?&#8230; nem eu quero.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Timestamping Passa a ser oficial no Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 16:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Bulgueroni</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="margin-right: 10px; margin-left: 10px;" src="http://cyberlawyer.com.br/wp-content/uploads/wp-post-thumbnail/torrelogio_wKM6.jpg" alt="" width="300" height="207" />O timestamping, traduzido em tupiniquim para &#8220;Carimbo do Tempo&#8221;, <a href="http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=16999&amp;sid=5" target="_blank">passou a ser oficialmente regulamentado no Brasil</a>. Esse é um passo importante na obtenção de Equivalência Funcional efetiva entre meio eletrônico e meio físico em nosso país, pois ainda que tenhamos a Certificação Digital regulamentada, há que se ter mecanismos que não deixem dúvida <strong>quando</strong> determinada declaração foi dada.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, faz muita diferença para alguém escrever um texto <strong>hoje</strong> tratando de alguma coisa que deveria ter ocorrido no passado (algo que nos mundos não-eletrônicos significa &#8220;dar uma alteradinha na data do contrato&#8221; &#8211; muitas vezes para justificar pagamentos e relações jurídicas que ocorreram sem contrato no passado, e coloca-se em algo assinado no presente uma data do passado).</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, a Certificação Digital permite apenas a garantia de quem é o autor de determinado documento. Ela não garante a <strong>data</strong> em que aquele autor escreveu o documento, o que pode gerar muitos problemas, pois a data do microcomputador que gera tais documentos pode ser adulterada, tanto para o passado como para o futuro &#8211; produzindo, por exemplo, ordens de compra de determinados produtos antes do preço desses subir muito no mercado, o que geraria bastante discussão com o fornecedor.</p>
<p style="text-align: justify;">A utilização do &#8220;carimbo do tempo&#8221; facilita isso, e agrega outra segurança fundamental ao Certificado Digital: a garantia de refutabilidade de autoria no tempo. Que em termos resumidos, é a segurança que o dono de um certificado digital que usa o carimbo do tempo tem de, caso seu certificado digital seja &#8220;perdido&#8221; ou &#8220;clonado&#8221;, ter a segurança de que todo documento produzido antes e após a data de revogação desse certificado por perda sejam exatas, de forma a evitar que alguém, se passando pelo usuário, elabore documentos comprometedores ou indesejáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, a aplicação que o governo brasileiro escolhe é complexa. Ao invés de integrar nos mesmos serviços que já são prestados dentro da ICP-Brasil, preferiu criar uma nova rede, a plataforma de Autoridade de Carimbo do Tempo. Em resumo isso significa: prestadores de serviço de autenticação diferentes oferecendo Certificação Digital e Carimbo do Tempo, levando o usuário a ter que instalar não só um assinador digital, mas também um &#8220;carimbador temporal&#8221;, ou seja lá como o batizem, aumentando a parafernália de softwares necessários para utilização da certificação e distanciando um pouquinho mais a ICP-Brasil do objetivo de toda ICP: ampliar, nas transações eletrônicas, a identificação de partes e comprovação de atos, com o máximo de simplicidade e interoperabilidade possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Missão que vai ficando cada vez mais distante&#8230;</p>
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